O sentido da vida

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O sentido da vida
(Publicado em 20 de outubro de 1975)
Viver é uma arte que exige, além de aperfeiçoamento, verdadeira compreensão humana no relacionamento com as pessoas, devendo ter a criatura perfeita noção dos deveres sociais e familiares. E conhecendo a responsabilidade que lhe cabe, a qual não pode, de forma alguma, ser transferida a ninguém, porquanto a evolução é individual, está na dependência de cada um, do seu trabalho, esforço, dedicação e emprego de uma vontade forte para o bem.
As situações favoráveis ou desfavoráveis ao desenvolvimento da personalidade, é o próprio indivíduo quem cria, e não o consegue quando se desvia da realidade. Fugir à realidade e aos motivos da própria existência é esconder-se nas malhas da mentira e do embuste, é não querer encarar as coisas para não ver os fatos que se apresentam diante dos caminhos. Há criaturas que se desviam do caminho reto e procuram os atalhos que as conduzam a uma vida fácil e irresponsável, enveredando por caminhos perigosos. A vida é de trabalho e lutas constantes. Alimentar a ilusão e a fantasia é toldar a mente, indolentizar o espírito e perder a batalha que o mundo nos oferece para a nossa própria evolução. Tudo que se conquista sem esforço não tem valor.
Há coisas importantes na vida, e uma delas é saber aproveitar o tempo em coisas úteis e produtivas, usando-se os dons que se possui e empregando-os unicamente no sentido de aperfeiçoar a virtude, vivendo, portanto, racionalmente, em obediência a princípios sadios e construtivos. Há, pois, necessidade de educação estruturada na sã moral, nos deveres que cada um tem perante a vida, visando a colher os frutos do equilíbrio mental, atendendo aos justos anseios da individualidade, sem causar prejuízos aos demais.
É preciso que a vida humana seja conduzida com valor, dentro dos princípios da honradez, compreensão e tolerância, sabendo-se usar os bens terrenos com moderação e fugindo-se à exibição e à vaidade, que só dificultam a evolução do espírito. Somente uma educação em bases reais, ministrada nos lares e nos bancos escolares, poderá formar o arcabouço de um novo mundo, esteado em mentalidade vigorosa, compreensiva, humana, afeita aos problemas da própria vida e estimulada pelo desejo de realizar algo de útil e proveitoso para si próprio e para a coletividade.
Este deve ser o sentido real da vida que o homem tem que seguir, sem desfalecimentos, para obter progresso, compreensão e colaboração dos seus semelhantes. Tenha-se, pois, em vista que o bem-estar geral depende de todos se harmonizarem, negando o egoísmo e fomentando a fraternidade, o viver compreensivo, isento de sentimentos inferiores. Construir para o bem não é difícil, quando se dispõe a criatura a seguir princípios humanos e cristãos, saindo do ciclo das futilidades, valorizando a vida e engrandecendo o espírito.
Oscar Pereira de Menezes